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  • João M.M.F. Silva

Inverno: hora de atacar ou de hibernar?


Apesar do inverno começar oficialmente em 21 de dezembro, em Massachusetts, já tivemos um dia de neve que serviu para nos lembrar que o verão de fato acabou. Essa mudança de estação tem um significado muito claro para as empresas, principalmente para aquelas do ramo de construção. Landscapers se dedicam ao trabalho de snowplowing, pintores se dedicam a pinturas interiores, e outros trabalhadores têm sua demanda reduzida devido ao clima. Apesar de algumas atividades econômicas serem favorecidas pelo inverno, boa parte dos negócios relacionados a brasileiros diminuem a produção. O que fazer frente a esse cenário? É essa a hora de investir? Ou é o momento de diminuir as despesas e esperar que o inverno passe? Para respondermos essas perguntas, é preciso fazer uma análise estratégica interna (ambiente controlável pela empresa) e externa (ambiente no qual a empresa tem pouca ou nenhuma influência).

Do ponto de vista interno é preciso analisar a saúde financeira da empresa e sua estratégia. Uma empresa que tem uma boa gestão do fluxo de caixa e teve um ano virtuoso pode aproveitar essa oportunidade (o inverno) para sair na frente dos concorrentes no ano seguinte. Me lembro que em 2008 em plena da crise econômica mundial a USIMINAS, empresa siderúrgica mineira, resolveu reformar seu alto-forno. Naquela ocasião, me pareceu incoerente a decisão de fazer uma reforma em meio a uma crise, pois isso significaria saída de recursos do caixa da empresa em um momento em que esses recursos são importantíssimos. Após algum tempo, entendi que a estratégia era perfeitamente coerente, desde que a empresa tivesse saúde financeira para se sustentar durante o período de baixa entrada de recursos. Nesse caso, a estratégia era aproveitar o momento de ociosidade do forno para renová-lo de modo que quando a economia voltasse à normalidade, a empresa estaria fortalecida diante dos concorrentes. A baixa demanda durante o inverno pode ter um significado semelhante para os brasileiros que atuam na construção (ou mercados que seguem a mesma sazonalidade). Nesse período, normalmente os empresários têm mais disponibilidade de tempo o que dá condições a eles de rever suas estratégias de negócios, capacitar o time de colaboradores, capacitar-se como empresário, dentre outras ações que podem ser desenvolvidas.

Além da situação interna, é importante considerar também o cenário externo. Da mesma forma que o período de baixa demanda serve para o empresário rever suas estratégias, ele serve também para cliente rever suas estratégias. Em outras palavras, é necessário se levar em consideração que sua empresa não tem garantia nenhuma de que um cliente que foi fiel durante um ano inteiro, vai continuar sendo fiel no próximo ano. O risco de perder clientes acrescido à crise sanitária mundial do COVID-19 torna o ambiente de negócios extraordinariamente arriscado. Isso significa menor previsibilidade de entradas. Todavia, isso pode ser contornado com uma boa reserva de capital de giro (dinheiro suficiente para cobrir as despesas da empresa durante determinado período).

Concluindo, o que fazer durante o inverno? Investir ou poupar? Acredito que já tenha entendido que não existe uma resposta única para toda empresa. Mas, diante da análise apresentada, é possível concluir que se sua companhia tem foco em crescimento e é saudável financeiramente a ponto de ser capaz de absorver os riscos apresentados sem problemas, talvez, a melhor opção pode seja a de investir; caso contrário, ou seja, caso sua empresa não tenha saúde financeira para absorver os riscos apresentados, ou caso sua tolerância a riscos seja baixa, talvez, poupar para sobreviver no inverno seja uma opção mais prudente.

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